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Macapá,07/06/2026

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    A Memória de Nossos Heróis Negros

    Escrito por João Ataíde, O Viajante

    João Ataíde - O Navegante
     A Memória de Nossos Heróis Negros Quilombo do Curiaú - Foto: Gabriel Penha

    Por onde estão nossos pretos de opinião? Ou cansaram da luta, ou foram deixados de lado para não atrapalharem na discussão repetitiva e na falta de continuidade de suas lutas?

    Sou um jovem velho de 50 anos, com a cabeça meio grisalha (meio branca, meio cabelos pretos). Já escolho as palavras com cuidado para não entrar em rota de colisão com quem pensa diferente de mim e me dou ao luxo de me negar a participar de algumas discussões.

    Em relação às políticas públicas afirmativas, avançamos muito. No entanto, a memória coletiva de quem tornou isso possível ficou sepultada pela poeira do tempo. Certamente, a nova geração, que usa cabelo Black, roupas coloridas e extravagantes, e se identifica como negra, não conhece ou valoriza a história de quem lutou para que isso fosse possível: a história do negro Trajano, que ainda é hostilizado como traidor de uma área que era de ninguém, a história de Dona Libório, a luta do Coruja pela preservação da festa de São Joaquim, o jornal do Quilombo do Sabá, o craque que foi Heraldo Curiau, a história do Bolão e do velho Bacaba, a cantoria do Mané Caldo, as articulações de Raimunda Ramos, a sabedoria de Dona Zefa, ou a voz marcante de Dona Venina.

    Também não conhecem a capoeira do Nonato, o marabaixo sem glamour, os quilombos sem ramais, Dona Geralda dentro de um buraco para não despejarem Arcênio em suas terras, e meio mundo de pretos na beira do buraco em solidariedade a um de nós.

    Por onde andam esses pretos de pele escura?

    É preciso valorizar a luta de quem fez tudo isso possível.






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