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Macapá,07/06/2026

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    Por que 16 de junho se tornou o Dia Estadual do Marabaixo no Amapá

    Escrito por Cláudio Rogério

    Texto: Cláudio Rogério
    Por que 16 de junho se tornou o Dia Estadual do Marabaixo no Amapá 16 de junho é celebrado o dia estadual do marabaixo / Foto: Gabriel Penha

    Por Cláudio Rogério

    O ano de 2009 entrou para a história das comunidades tradicionais do marabaixo no Amapá como um período de resistência, mobilização e luta pelo reconhecimento de uma das mais importantes manifestações culturais da Amazônia afro-brasileira. Foi naquele contexto de conflitos, perseguições e reivindicações que nasceu o movimento que culminaria na criação do Dia Estadual do Marabaixo Amapaense, celebrado em 16 de junho.

    O Ciclo do Marabaixo, tradição secular realizada entre a Semana Santa e Corpus Christi, já fazia parte da identidade cultural amapaense há gerações. Entretanto, apesar de sua relevância histórica e religiosa, os grupos festeiros enfrentavam dificuldades relacionadas à valorização cultural, apoio institucional e respeito às práticas tradicionais.

    Naquele ano, episódios considerados ofensivos pelas comunidades marabaixeiras intensificaram o sentimento de indignação. No bairro do Laguinho, em Macapá, o então pároco da Igreja de São Benedito, Geovane Pantarolo, posicionou-se contra a participação das comunidades do marabaixo nas atividades religiosas da igreja, fato que gerou grande repercussão entre os praticantes da tradição.mOutro episódio ocorreu no bairro Santa Rita, conhecido como Favela, durante o encerramento do ciclo do marabaixo. Segundo relatos das comunidades, um juiz que residia nas proximidades da festividade acionou a polícia e determinou a interrupção da programação cultural, provocando revolta entre os participantes.

    Ao mesmo tempo, os grupos tradicionais observavam o crescimento dos investimentos públicos destinados a outras manifestações culturais, como o carnaval e a quadra junina, enquanto os recursos destinados ao Ciclo do Marabaixo continuavam reduzidos.

    Diante desse cenário, representantes de diversas comunidades tradicionais decidiram organizar uma grande mobilização popular. No dia 16 de junho de 2009, integrantes do marabaixo, juntamente com representantes de comunidades como Mazagão, Campina Grande, Ilha Redonda e outras localidades, saíram às ruas de Macapá em protesto contra a desvalorização da manifestação cultural.

    O ato teve início na Praça da Bandeira e percorreu importantes instituições públicas da capital amapaense, entre elas o Palácio do Setentrião, o Tribunal de Justiça, a Câmara Municipal de Macapá, a Prefeitura e a Assembleia Legislativa do Estado. Em cada órgão foi entregue uma carta contendo reivindicações voltadas ao fortalecimento do marabaixo.

    Na Assembleia Legislativa, os manifestantes foram recebidos pelo então presidente em exercício da Casa, deputado Dalton Martins, falecido em 2012 em um acidente aéreo. Durante o encontro, Dalton Martins comprometeu-se a dialogar com as comunidades sobre as reivindicações apresentadas. Foi naquele momento que surgiu a proposta de criação do Dia Estadual do Marabaixo, inspirada na experiência do parlamentar com a criação do Dia Estadual do Samba, celebrado em 2 de dezembro.

    A iniciativa foi bem recebida pelas comunidades tradicionais e passou a ser construída coletivamente entre a assessoria técnica do deputado e representantes do movimento marabaixeiro. Entre os articuladores do processo estavam, Valdi Costa, Elisia Congó, Danniela Ramos, entre outros marabaixeiros e marabaixeiras que integraram a comissão responsável pela elaboração do projeto de lei.

    Exatamente um ano após o protesto histórico, em 16 de junho de 2010, a Assembleia Legislativa realizou uma audiência pública que marcou a apresentação e aprovação do projeto de lei que instituiu oficialmente o Dia Estadual do Marabaixo Amapaense.

    Por meio da Lei nº 1.521/2010, o dia 16 de junho passou a integrar o calendário oficial de datas comemorativas do Estado do Amapá, representando um importante reconhecimento institucional à tradição afro-amapaense.

    Desde então, avanços significativos passaram a ser percebidos pelas comunidades tradicionais. Entre eles estão o aumento dos recursos públicos destinados ao Ciclo do Marabaixo, uma maior aproximação da Igreja Católica com os ritos tradicionais e a ampliação da divulgação das festividades realizadas nas diferentes comunidades.

    O reconhecimento também alcançou dimensão nacional. Atualmente, o Marabaixo é registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural Brasileiro, consolidando sua importância como símbolo da identidade, resistência e ancestralidade do povo amapaense.





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